quarta-feira, 28 de março de 2012

Sem limites



Alguém dirá ser uma criança limitada ao considerar todas as coisas que um adulto pode fazer, mas quem dirá ser um adulto limitado por não conseguir sentar-se a brincar com os amigos? Há coisas de crianças, e há coisas de adultos, mas se compararmos um com o outro, ambos se mostrarão limitados. Dizem haver deuses e homens, e que homens são limitados em comparação aos deuses, mas já se questionaram se os deuses não são limitados se comparados aos homens? Um deus que só consegue ser deus está limitado às coisas que dizem respeito à sua divindade, tanto quanto um homem que não pode ser nem tornar-se divino. Homens são, portanto, limitados porque não podem ser deuses e deuses, por sua vez, são limitados porque não podem ser homens. 

Mas pode um adulto romper os limites de sua maturidade e tornar-se novamente criança? Pode uma criança crescer e tornar-se adulta? Claro que sim. Mas escândalo seria afirmar que pode um Deus tornar-se homem, assim como afirmar que homens podem tornar-se deuses em Deus. O Divino na carne, plantou no homem a semente divina. O Verbo Encarnado, tornando-se semelhante ao homem, feito menor que os anjos, não pode ser considerado limitado por isso, justamente o contrário, é o fato de Deus tornar-se homem que Lhe faz transcender a todos os limites possíveis. Um deus que só é deus está limitado se comparado aos homens. É frio, indiferente, distante de suas criaturas, de seus conflitos. Mas um Deus que torna-se como os que Ele mesmo criou, prova que desconhece plenamente qualquer coisa que se possa chamar limitação.

E ainda, enquanto homem, quando Ele chora, se angustia, ama, se compadece, se entriste e enraivece, ou ainda se cansa a ponto de cair em profundo sono, ou apresenta desconhecimento intelectual acerca de coisas que devem estar ocultas a toda a humanidade, não está apresentando qualquer limitação, mas prosseguindo para além dos limites dos homens que, sendo humanos, menosprezam e perdem sua humanidade. Sim, limitado é o homem que não consegue chorar, que não se entristece, que não se angustia, que não ama, que não teme, que pensa não ter o direito de dizer que está cansado, que não aprende com o outro, que não apresenta a capacidade de se humilhar, que não aceita o fato de não lhe caber o entendimento acerca de todos os mistérios. Esse conhece os limites da arrogância, da presunção, da soberba, do orgulho, da inveja, do ódio. Tais coisas são limitadoras. O que é bom, ainda que pareça ser limitado, não o é, pois vai, por vontade própria, até onde quer ir. Quando o Mestre disse ao Pai que fosse feita a vontade dEle, não estava apresentando qualquer limitação, mas estava rompendo os limites do orgulho humano, da auto-suficiência. Se fomos criados para estarmos sujeitos a Deus, submetermos à Ele nossa vontade é onde reside a real liberdade e a total ausência de limites.

Assim como uma criança deve brincar ao invés de trabalhar, desfrutando da total liberdade que os jogos lhe propõem, estando livre de ser chamada de limitada por isso, também o homem-Deus que foi "obediente até a morte" jamais desfrutou de qualquer coisa que se pudesse chamar limite, antes, foi além de tudo o que poderia limitá-Lo, seja como Deus e como homem.

Como Deus, Ele tornou-se próximo, compadecido de nós, e sendo homem, tornou-se perfeito humano, livre das limitações dos "adultos". Há os deuses dos mitos, que são limitados, que não conseguem compadecer-se da dor dos homens, que não descem dos céus, que não vêm até os homens, que não sofrem suas dores, esses, de fato, não são deuses, mas o Deus que se faz Sumo Sacerdote e, sendo homem "santifica a Si mesmo", Esse é, sem dúvida alguma, o Deus verdadeiro.

O que tento afirmar aqui é o fato de ser limite para um deus tornar-se como sua criatura, assim como é limite para um homem não ser capaz de exercer a plenitude de sua humanidade, de modo que o homem que não consegue ser plenamente humano e o deus que não pode ter marcadas em si as dores de suas criaturas são igualmente limitados. E concluo dizendo que Jesus foi mais Deus do que qualquer outro deus, e mais homem do que qualquer outro homem, Ele foi Deus e Homem...sem limites.

Por mais um dos que creem no escândalo da Encarnação de Deus.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Todos os pecados dos homens lhes serão perdoados, exceto...

A blasfêmia contra o Espírito Santo, a negação da Verdade, o descrédito dado àquilo que se credita simplesmente por não querer crer. Isso mesmo, os fariseus dissimularam contra a Verdade que se confirmava diante de seus próprios olhos, tiveram o vislumbre da glória de Deus a revelar-se no Filho, que, encarnado, efetuava obras por onde passava a fim de confirmar Sua autoridade.

O testemunho do Pai, as palavras de sabedoria, o proceder de Seus filhos, era inegável que o Espírito de Deus estava sobre Jesus. O próprio Nicodemus afirmou isso. Mas, tomados por inveja e ódio, movidos por seus interesses políticos, os religiosos tentavam a todo custo não crer naquilo que não tinham como negar: que sobre Jesus repousava o Espírito Santo.

Daí a afirmação dos fariseus ser tão infeliz, pela carga de hipocrisia que carregava. Ora, possuídos por sua dissimulação, eles não poderiam crer em Jesus, não poderiam receber o Reino, não poderiam ser lavados por Suas palavras, e assim, permanecia sobre eles a condenação.

Sem lavar-se, o homem permanece sujo. Por isso, o que, à semelhança dos fariseus, blasfema contra o Espírito, permanecerá atormentado pela culpa que "não lhe será removida".

Haverá para eles outro Cristo? Outro sangue há que seja preferível ao blasfemo, que possa ser derramado para que o mesmo nele se lave? O poder de Deus estava manifestado ao mundo em Jesus, de modo que todos se maravilhavam, alguns, inclusive os de Sua casa, consideravam-no louco, outros, dissimulando contra a Verdade, desprezavam a graça que lhes fora concedida, vendo o que muitos profetas desejaram ter visto, não quiseram enxergar o que era evidente diante de seus olhos, estes o consideravam porta-voz do inferno, o Belzebu.
Por isso não podem ser lavados, pois assim rejeitaram ser, de modo que sobre eles permanece a condenação. Assim, todo pecado será perdoado, menos o de não banhar-se no Sangue precioso, de não lançar-se no Teu mar de Graça, de desprezar Teu amor, de negar que Deus perdoa os pecadores, mesmo vendo-O perdoá-los. Quem assim blasfema contra o Espírito do Evangelho, permanecerá debaixo de condenação.

Por mais um dos que não vêem outra possibilidade, diante da glória que se-nos revelou, senão a de crer no Deus da Graça.